Yo-ho-ho! Piratas no Parlamento Europeu.

O site Pirate Bay, o mais popular do mundo para arquivos de torrent, é um site sueco. Este ano o site foi julgado e os membros declarados culpados (apelações já estão em processo, além disso, em paralelo, o juiz do caso está sendo julgado para verificar se foi parcial, considerando que ele faz parte de grupos pró-copyright). O resultado do julgamento causou o maior "rebuliço" na Suécia e ocasionou uma expansão vertiginosa no recém-criado Partido Pirata.

Ante-ontem (07/06/09) ocorreram as eleições, na Suécia, para eleger os membros que representarão o país no Parlamento Europeu e o Partido Pirata conseguiu 7,1% dos votos, garantindo ao partido 2 das 18 vagas suecas no Parlamento Europeu. O Partido Pirata tornou-se o 4º maior partido do país e gerou alguns filhotes: a "filial" Alemã do Partido Pirata conseguiu 1% dos votos, o que preenche os requisitos necessários para a oficialização e sedimentação do partido na Alemanha. Em vários outros países europeus, filiais do Partido Pirata também começam a aparecer.

Enquanto o Senado brasileiro aprova a Lei Azeredo, a Europa coloca piratas no Parlamento. Esse evento pode representar o inicio da solidificação das formas como passamos a lidar com direitos autorais, a cópia, a propriedade intelectual e a pirataria desde o surgimento da internet (que aqui no Brasil foi, na prática, há 13 anos). Estamos vivendo uma mudança de paradigma no mundo, e esses suecos me parecem uma representação sólida disso. Podem ser apenas dois dentro do Parlamento Europeu inteiro, e além disso, eles não terão nenhuma influencia direta sobre nossas vidas no Brasil, por outro lado, dois piratas pode ser tudo que se precisa para seqüestrar um navio. :)

Links para as matérias:

1 - Pirate Party Wins and Enters The European
2 - How Pirates Shook European Politic

Abraços,
Nilson

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QuoteThe.Net

"La mejor manera de investigar en internet sobre un tema es buscar a alguien que ya lo haya hecho y publique la información a respecto."
- Virginia Luzón Fernándes

"Imagino un nuevo tipo de narrador, uno que es mitad hacker, mitad bardo. El espíritu del hacker es una de las fuentes de creatividad de nuestro tiempo, capaz de hacer cantar a los circuitos inanimados con voces cada vez más individuales y extrañas. El espíritu del bardo es irreemplazable para decirnos qué hacemos aquí y qué significamos los unos para los otros."
- Janet Murray

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Faces will be melted!

Eu simplesmente adoro esses fenômenos espontâneos da internet. :)

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Uma história de amor no mundo virtual

Sinceramente, uma das melhores coisas que eu já li desde que inventaram a internet.

A Love Story, by Jeff Freeman

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Remix

Na semana passada um amigo meu pediu a mim, e a outro amigo nosso, para darmos uma "entrevista virtual" sobre cibercultura, tecnologia e seu impacto nas mídias, etc... Aí embaixo segue uma parte do log dessa entrevista :)

B:
o q eu queria é como esse processo de multiplicação influencia a obra, saca? se vcs acham q ela perde valor por ser menos única ou se valoriza de certo modo por ampliar as interpretações e vistas sobre ela

SirNiXXon: Pra mim somente valoriza
Trystan: eu ja sou mais conservador, tem que ter um criterio..
SirNiXXon: Claro, sempre tem um critério.
SirNiXXon: Mas veja: vc tem uma música, toca, a galera gosta, outro chega e resolve fazer um remix - dependendo da capacidade dele, pode ficar um lixo, ou muito bom. Se ficar ruim, a obra remixada se perde, se ficar boa, vai passar a tocar, talvez mais ainda que a obra original. Vc tem sua obra, editada, mas ganhando mais espaço do que ela ganharia inicialmente. Sem falar que isso também abre espaço prum novo público.
Trystan: mas como vc falou, é uma faca de dois gumes..
SirNiXXon: Por exemplo, Riders on the Storm: é uma música do The Doors. Foi remixada pelo Fredwreck recentemente, junto com os vocais do Snoop Dogg. Eu NÃO gosto de The Doors. Mas o remix, o trabalho do Fredwreck e do Snoop, me fez gostar do The Doors. Foi uma releitura de uma obra que eu nem sequer iria conhecer
Trystan: mas o The Doors já eh uma banda firmada
SirNiXXon: Firmada prum público antigo. Pro público mais novo ela é quase desconhecida. Então vc tem um público novo que tem um contato com a obra do The Doors e passa a gostar disso, pq essa releitura dá uma roupagem mais moderna, mais atual ao The Doors, uma roupagem mais adequada aos dias de hoje.
Trystan: eu posso dar um exemplo contrario: eu gosta da musica Light my Fire do The Doors, maas se eu a tivesse conhecido, pela versão do R.E.M eu nao ia nem querer conhecer o resto!
SirNiXXon: Mas isso aí é cover, não é remix. :) Quando vc escuta o remix vc tá escutando o The Doors original! Tá lá o vocalista do The Doors cantando! Tá o Snoop tb, e a musicalidade é outra, mas é a obra original ainda, só que mutada, híbrida. No caso de um cover a coisa é outra.
SirNiXXon: É outra voz, outra musicalidade, outra leitura, outro tudo. É Marisa Monte cantando claudinho e buxexa. É All Saints cantando Red Hot Chilli Pepers. Pode dar outra cara, abrir prum público diferente, fechar pra outros, mas não é uma transformação no sentido do remix, que é o original com elementos novos, e não uma série de elementos novos baseados num original. Ele é a modernização do cover talvez, através dos recursos tecnológicos atuais.
Trystan: mas pelo que vc falou, vc vai continuar nao gostando do The Doors e sim das remodelagens que fizeram com as músicas deles
SirNiXXon: Claro! :D Mas e pro The doors qual a diferença? Eu vou tá ouvindo eles e comprando as obras baseadas neles, não vou? Eles ganham divulgação, o nome deles se torna mais conhecido. E daí várias pessoas que de outra forma não escutariam The Doors vão ficar curiosas e querer ouvir o original, e algumas delas vão gostar.
Trystan: só uma citação: esse foi o mesmo argumento que eu ouvi de um critico de cinema.. falando sobre o novo filme de Constatine.
SirNiXXon: hehehehe
SirNiXXon: É como o Chico misturando o maracatu com rock e hip-hop. :) Se não fosse por isso, muita gente não ia conhecer ou gostar do maracatu. Eles gostam do maracatu antes por ser mangue beat, por ser moderno, e depois por ser pernambucano, por ser tradicional. ;)
Trystan: B?
SirNiXXon: deve tah namorando virtualmente e se esqueceu de nós. :)
Trystan: heheheh...
B: eu! tô acompanhando aqui
B: q virtualmente oq, é ao vivo mesmo :P
B: mas sim, concordo com NiXX nessa: a pluralidade, apesar de tirar o aspecto única, democratiza mais a obra, torna mais conhecida, e pra mim, você produzir sua visão sobre o q já existe é tão válido qnt criar algo novo
SirNiXXon: Mas o que é uma obra "única" B? :P Sinceramente? Obra única não existe. Não hoje em dia.
B: exato, mas disso Walter Benjamin falou melhor :P
SirNiXXon: Existe é uma transformação de uma carga cultural que a gente tem e daí vc acaba criando algo novo mas que não é novo em suas raízes. Veja Matrix: uma colcha de retalhos agrupados de forma a criar um todo original de várias partes "copiadas". :) É esse o trabalho de qualquer artista. É como a vida de um cronista: observar a vida real e ter o senso de como escrever isso de uma forma relevante. :)
Trystan: eu concordo que isso seja um aspecto valido, mas nao é o único
B: galera, papo tá bom, mas tô vendo q a gente tá precisando amarrar o assunto, dar uma conclusão
SirNiXXon: hahaha Tudo culpa sua, seu entrevistador fuleiro

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Novo Jornalismo de Games

A umas duas semanas atrás eu fiz um post sobre uma possível mudança na forma de se fazer jornalismo sobre games. Pra minha surpresa, tem muita gente que também está pensando no assunto.

State of play: is there a role for the New Games Journalism?
(...)and this is another problem with New Games Journalism – one referenced by Kieron Gillen in his compelling NGJ manifesto. Most videogame magazine staff just don’t have the correct experience or training to pull off this kind of writing. There is a thin line between subjective and self-indulgent and it's one that magazines tend to throw themselves straight over.
Ten unmissable examples of New Games Journalism
(...)First published in PC Gamer, Ian Shanahan‘s follow up to ‘Bow, Nigger’ is another riveting one-on-one online encounter, this time taking place in the morally ambiguous world of graphical chatroom(...)

Unindo esses pontos e aquilo que eu já havia citado sobre o estilo de escrita do The Inventory ou até mesmo do Just Adventure dá pra se pensar num estilo de publicação realmente interessante. Talvez mais ainda se for pra web, ou distribuição eletrônica como PDF... Idéias, idéias... :)

Edição: ah, eu tinha esquecido de incluir um link para o Bow Nigger, um dos textos mais famosos no "New Games Journalism". *shame*

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blue and red pills

Alguém lembra daquela propaganda antiga do Master System?

Um garoto genérico equipado com um óculos 3D atirando com sua pistola Light Phaser em foguetes que pareciam sair da tela e a impactante frase no final: "Master System: é um jogo, mas poderia ser verdade"? Pois se a vida imita a arte e arte imita a vida, chegamos num tempo onde a vida imita os jogos e os jogos imitam a vida, e a arte imita os jogos que imitam a vida que... ah, sigam o link que fica mais fácil :)

Andas' Game
(AVISO: são cerca de 19 páginas de texto, mas vale a pena. Pros impacientes, o link leva até uma propaganda, é só esperar um pouquinho que o texto aparece em seguida)

O curioso do "Anda's Game" é que existe, claro, uma romantização do assunto, mas esses "farmers" (nenhuma relação com os tradicionais plantadores de batatas), que ficam "jogando" MMOGs pra vender os frutos das horas de jogo no eBay, já se tornaram algo bastante comum. Geralmente de países asiáticos, esses caras 'tão em tudos que é MMOG, particularmente nos com raízes mais asiáticas (se não acreditam, tentem os servidores oficials do Final Fantasy XI Ou Lineage II).

E se você gostou da história mas não tá a fim de pagar em dólar, tenta aqui.

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