CRTs vs LCDs: aquilo que os marketeiros não querem que você saiba

Falei recentemente com um amigo que pretendia comprar um monitor CRT de 19 polegadas para mim, amigo que prontamente assumiu a postura de "tu tá comendo merda cara? Ficou maluco?", alegando serem os CRTs "absurdamente caros" em termos de energia. Ponto pra ele quando falou que existem LCDs de 19 na faixa de R$700,00 - R$800,00, eu desconhecia o fato. Porém sobre a questão da energia, heh, afirmo que as pessoas que dizem os CRTs serem "muito caros na energia" só estão repetindo o coro dos marketeiros. Vamos aos números!

A celpe, de acordo com tabela atual, cobra R$0,49 por megawatt/hora.

O monitor CRT 997MB da Samsung, de 19 polegadas, consome 100w/hora e custa R$499,00.
Considerando que esse monitor seja usado 8h/dia durante um mês, ele será reponsável por um consumo total na ordem dos R$11,83 por mês. Não me parece algo que vá transformar alguém em mendigo da noite pro dia...

No momento estou usando monitor CRT 453DFX, também da Samsung, 17 polegadas, com consumo de 80w/hora, resultando num custo mensal de R$9,47. Se me perguntarem, um aumento de R$2,36 na conta de energia no final do mês me parece algo bastante inexpressivo.

Consideremos uma mudança então para um LCD de 19, por continuidade, escolhemos um modelo da Samsung vendido na mesma loja, o 932B, por R$719,00. Consome 38w/hora, ou seja, R$4,50 por mês. Considerando que a diferença de preço entre o CRT e o LCD é de R$220,00, o modelo LCD vai levar 30 contas de energia, ou seja, dois anos e meio, para pagar a diferença de preço entre ele e o CRT.

Talvez seja mais produtivo fazer outra coisa com esses R$220,00 em dois anos e meio, como investir nos mercado de ações ou sei lá, mas parcelar 220 em 30 meses me parece uma vantagem bem... insignificante.

Apesar de tudo isso, como bom nerd sou forçado a admitir que se realmente LCDs tivessem uma qualidade superior aos CRTs, isso por si só me seria motivo suficiente para a mudança, deixando gastos de lado. Mas não é bem o caso, por mais sexy que sejam os LCDs, com suas formas delgadas e leveza de ser, eles ainda não conseguem acompanhar a qualidade dos CRTs.

- A indústria fez ótimos progressos recentemente com relação ao tempo de resposta, é verdade, mas para usos realmente rápidos, como jogos ou filmes de ação, eles ainda ficam um pouco a desejar, o Tom's Hardware verificou que a maioria dos LCDs que afirmam ter 12ms de resposta, na verdade chegam há 18ms ou mais, quando a coisa aperta.

- A questão da fidelidade de cores já foi solucionada em laboratório, é verdade, mas ainda não é possível aplicar toda a fidelidade de cores que um CRT tem num produto para o mercado, ainda é caro demais. Os LCDs disponíveis hoje no mercado chegam, na melhor das hipóteses, a uma fidelidade de 90% - isso os modelos mais caros, espere um desempenho pior pros "barateiros".

- O contraste já foi parcialmente resolvido, nos modelos mais caros, portanto não é mais questão tão importante.

- E o último e menos falado dos fatores é algo decisivo pra qualquer gamer: os LCDs não conseguem reproduzir bem mais de uma resolução. Comprou um LCD? Ficou preso pro resto da vida na resolução nativa dele. Pra maioria das pessoas isso é detalhe, mas os gamers freqüentemente se vêm às voltas com mudanças de resolução, seja usando uma resolução maior que a do desktop pra evitar serrilhados, seja reduzindo a resolução pra poupar o PC cansado velho de guerra e permitir espremer um pouquinho mais de potência para rodar os jogos novos. Pois é, estratégias apenas possíveis num CRT.

Haverá um dia em que nós teremos monitores melhores que os velhos cubos pesadões dos CRTs, a tecnologia não pára, mas esse dia ainda não chegou. Enquanto isso os LCDs continuam sendo ótimos pra caixas de supermercados, mesas de gerente de banco e laptops.

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Uma história de amor no mundo virtual

Sinceramente, uma das melhores coisas que eu já li desde que inventaram a internet.

A Love Story, by Jeff Freeman

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Remix

Na semana passada um amigo meu pediu a mim, e a outro amigo nosso, para darmos uma "entrevista virtual" sobre cibercultura, tecnologia e seu impacto nas mídias, etc... Aí embaixo segue uma parte do log dessa entrevista :)

B:
o q eu queria é como esse processo de multiplicação influencia a obra, saca? se vcs acham q ela perde valor por ser menos única ou se valoriza de certo modo por ampliar as interpretações e vistas sobre ela

SirNiXXon: Pra mim somente valoriza
Trystan: eu ja sou mais conservador, tem que ter um criterio..
SirNiXXon: Claro, sempre tem um critério.
SirNiXXon: Mas veja: vc tem uma música, toca, a galera gosta, outro chega e resolve fazer um remix - dependendo da capacidade dele, pode ficar um lixo, ou muito bom. Se ficar ruim, a obra remixada se perde, se ficar boa, vai passar a tocar, talvez mais ainda que a obra original. Vc tem sua obra, editada, mas ganhando mais espaço do que ela ganharia inicialmente. Sem falar que isso também abre espaço prum novo público.
Trystan: mas como vc falou, é uma faca de dois gumes..
SirNiXXon: Por exemplo, Riders on the Storm: é uma música do The Doors. Foi remixada pelo Fredwreck recentemente, junto com os vocais do Snoop Dogg. Eu NÃO gosto de The Doors. Mas o remix, o trabalho do Fredwreck e do Snoop, me fez gostar do The Doors. Foi uma releitura de uma obra que eu nem sequer iria conhecer
Trystan: mas o The Doors já eh uma banda firmada
SirNiXXon: Firmada prum público antigo. Pro público mais novo ela é quase desconhecida. Então vc tem um público novo que tem um contato com a obra do The Doors e passa a gostar disso, pq essa releitura dá uma roupagem mais moderna, mais atual ao The Doors, uma roupagem mais adequada aos dias de hoje.
Trystan: eu posso dar um exemplo contrario: eu gosta da musica Light my Fire do The Doors, maas se eu a tivesse conhecido, pela versão do R.E.M eu nao ia nem querer conhecer o resto!
SirNiXXon: Mas isso aí é cover, não é remix. :) Quando vc escuta o remix vc tá escutando o The Doors original! Tá lá o vocalista do The Doors cantando! Tá o Snoop tb, e a musicalidade é outra, mas é a obra original ainda, só que mutada, híbrida. No caso de um cover a coisa é outra.
SirNiXXon: É outra voz, outra musicalidade, outra leitura, outro tudo. É Marisa Monte cantando claudinho e buxexa. É All Saints cantando Red Hot Chilli Pepers. Pode dar outra cara, abrir prum público diferente, fechar pra outros, mas não é uma transformação no sentido do remix, que é o original com elementos novos, e não uma série de elementos novos baseados num original. Ele é a modernização do cover talvez, através dos recursos tecnológicos atuais.
Trystan: mas pelo que vc falou, vc vai continuar nao gostando do The Doors e sim das remodelagens que fizeram com as músicas deles
SirNiXXon: Claro! :D Mas e pro The doors qual a diferença? Eu vou tá ouvindo eles e comprando as obras baseadas neles, não vou? Eles ganham divulgação, o nome deles se torna mais conhecido. E daí várias pessoas que de outra forma não escutariam The Doors vão ficar curiosas e querer ouvir o original, e algumas delas vão gostar.
Trystan: só uma citação: esse foi o mesmo argumento que eu ouvi de um critico de cinema.. falando sobre o novo filme de Constatine.
SirNiXXon: hehehehe
SirNiXXon: É como o Chico misturando o maracatu com rock e hip-hop. :) Se não fosse por isso, muita gente não ia conhecer ou gostar do maracatu. Eles gostam do maracatu antes por ser mangue beat, por ser moderno, e depois por ser pernambucano, por ser tradicional. ;)
Trystan: B?
SirNiXXon: deve tah namorando virtualmente e se esqueceu de nós. :)
Trystan: heheheh...
B: eu! tô acompanhando aqui
B: q virtualmente oq, é ao vivo mesmo :P
B: mas sim, concordo com NiXX nessa: a pluralidade, apesar de tirar o aspecto única, democratiza mais a obra, torna mais conhecida, e pra mim, você produzir sua visão sobre o q já existe é tão válido qnt criar algo novo
SirNiXXon: Mas o que é uma obra "única" B? :P Sinceramente? Obra única não existe. Não hoje em dia.
B: exato, mas disso Walter Benjamin falou melhor :P
SirNiXXon: Existe é uma transformação de uma carga cultural que a gente tem e daí vc acaba criando algo novo mas que não é novo em suas raízes. Veja Matrix: uma colcha de retalhos agrupados de forma a criar um todo original de várias partes "copiadas". :) É esse o trabalho de qualquer artista. É como a vida de um cronista: observar a vida real e ter o senso de como escrever isso de uma forma relevante. :)
Trystan: eu concordo que isso seja um aspecto valido, mas nao é o único
B: galera, papo tá bom, mas tô vendo q a gente tá precisando amarrar o assunto, dar uma conclusão
SirNiXXon: hahaha Tudo culpa sua, seu entrevistador fuleiro

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Novo Jornalismo de Games

A umas duas semanas atrás eu fiz um post sobre uma possível mudança na forma de se fazer jornalismo sobre games. Pra minha surpresa, tem muita gente que também está pensando no assunto.

State of play: is there a role for the New Games Journalism?
(...)and this is another problem with New Games Journalism – one referenced by Kieron Gillen in his compelling NGJ manifesto. Most videogame magazine staff just don’t have the correct experience or training to pull off this kind of writing. There is a thin line between subjective and self-indulgent and it's one that magazines tend to throw themselves straight over.
Ten unmissable examples of New Games Journalism
(...)First published in PC Gamer, Ian Shanahan‘s follow up to ‘Bow, Nigger’ is another riveting one-on-one online encounter, this time taking place in the morally ambiguous world of graphical chatroom(...)

Unindo esses pontos e aquilo que eu já havia citado sobre o estilo de escrita do The Inventory ou até mesmo do Just Adventure dá pra se pensar num estilo de publicação realmente interessante. Talvez mais ainda se for pra web, ou distribuição eletrônica como PDF... Idéias, idéias... :)

Edição: ah, eu tinha esquecido de incluir um link para o Bow Nigger, um dos textos mais famosos no "New Games Journalism". *shame*

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Ação Games? Videogame? EGM? 6 por meia dúzia!

Alguém está realmente muito puto com as revistas de videogame:

This Is Why Your Game Magazine Sucks (parte 01 -- parte 02)

Esses artigos me lembram de quando eu tinha 11 anos de idade e comprava toda e qualquer revista de videogame que ousasse aparecer numa banca (alguém lembra da SuperGame? A antecessora da SuperGamePower? :P). E sabe de uma coisa? O carinha revoltado daí de cima tem toda razão.

Eu me peguei pensando coisas semelhantes ao que ele falou justamente quando estava fazendo um projeto de revista de games como trabalho para a faculdade. Na época eu comprei algumas revistas para ver no que tinham mudado entre meus 11 anos de idade e o penúltimo ano de minha faculdade. Elas tinham ganho mais publicidade e eliminaram a sessão de "recordes", mas o resto...

A fato é que a revistas eletrônicas realmente eliminaram a necessidade de revistas de games impressas, pelo menos seguindo esse "modelo tradicional" de mais de dez anos. Essas revistas precisam seriamente de uma revisão de conteúdo, e curiosamente um ótimo exemplo disso é a The Inventory. Ok, ok, eu sei que a Inventory não é exatamente uma revista impressa, mas ela segue a mesma lógica, não? Afinal de contas, é um PDF!

No caso de quando eu estava produzindo a TIdGames (a revista de games que fiz pra faculdade), me vi numa situação meio que oposta a da galera da EGM: eles dispensaram um cara que sabia escrever mas não sabia jogar. Eu criei uma revista de games com cinco meninas que sabiam escrever mas não sabiam jogar (bem, uma delas sabia jogar um pouquinho, mas deu pra sentir o drama, né? :P)

Ainda assim foi interessante interessante: pega a menina que gosta de cinema e manda falar do filme Tomb Raider 2, pega a que gosta de esportes e manda falar do FutSim, pega uma jornalista da Folha e manda fazer matéria sobre Lan Houses.

Teve algo de
muito frankenstein no resultado... Digo, aquilo parecia tudo menos uma revista de games "de verdade", mas não foi por causa dos artigos com pontos-de-vista de não-gamers, mas sim por falta de matérias de gamers também. O único gamer da equipe era eu mesmo, e digamos que com a edição, diagramação, criação de pauta e etc, eu não tive muito tempo para gerar o conteúdo propriamente dito. Mas com aquela equipe e mais umas três ou quatro pessoas que fossem realmente gamers, bem, com isso poderia ter nascido uma nova forma de se produzir revistas de games. Quem sabe no futuro? ;)

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blue and red pills

Alguém lembra daquela propaganda antiga do Master System?

Um garoto genérico equipado com um óculos 3D atirando com sua pistola Light Phaser em foguetes que pareciam sair da tela e a impactante frase no final: "Master System: é um jogo, mas poderia ser verdade"? Pois se a vida imita a arte e arte imita a vida, chegamos num tempo onde a vida imita os jogos e os jogos imitam a vida, e a arte imita os jogos que imitam a vida que... ah, sigam o link que fica mais fácil :)

Andas' Game
(AVISO: são cerca de 19 páginas de texto, mas vale a pena. Pros impacientes, o link leva até uma propaganda, é só esperar um pouquinho que o texto aparece em seguida)

O curioso do "Anda's Game" é que existe, claro, uma romantização do assunto, mas esses "farmers" (nenhuma relação com os tradicionais plantadores de batatas), que ficam "jogando" MMOGs pra vender os frutos das horas de jogo no eBay, já se tornaram algo bastante comum. Geralmente de países asiáticos, esses caras 'tão em tudos que é MMOG, particularmente nos com raízes mais asiáticas (se não acreditam, tentem os servidores oficials do Final Fantasy XI Ou Lineage II).

E se você gostou da história mas não tá a fim de pagar em dólar, tenta aqui.

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