Google e a Sala Chinesa

Leituras anacrônicas podem gerar resultados interessantes. Recentemente li o artigo de John Searle sobre a Sala Chinesa, argumentando como manipular símbolos não cria uma consciênia.
E ateriormente, tinha lido o artigo "The Petabyte Age" da Wired. E então comecei a pensar. Como seria a sala chinesa que o Google está fazendo? O que isso irá trazer para nós? Será que o Google vai desenvolver consciência?
Hmmmm primeiro temos que entender o que Searle trata como consciência. Fundamental ler o artigo (tem por ai na internet) para ver os argumentos. O principal é: computadores manipulam símbolos. Somente manipular símbolos não nos permite gerar semântica (sentido). Logo os computadores não têm mente.
Mas então o que está acontecendo com a era do Petabyte? Com ficaria a tradução do Google a la sala chinesa? Imagine que eu tenho indexado um porrilhão (para não dizer um petabyte) de texto e disponho de uma ferramenta que permite correlacionar estes textos. Assim, um texto em inglês e sua respectiva tradução são relacionados. O computador seria capaz de ler o padrão textual de um artigo meu e a respectiva tradução. Em seguida, quando fosse ler um outro artigo em inglês, ele poderia usar o padrão de tradução do meu texto. Se desse errado, ele pediria uma nova relação (outra tradução, por exemplo) e continuaria o processo.
Num dado momento, o Google "aprenderia" português? Ou qualquer outra língua, por extensão? Ele poderia traduzir qualquer texto para qualquer outro sem precisa de um dicionário ou mesmo (com evoluir das buscas e indexação) de feedback de humanos. O que faltaria para o Google se tornar uma entidade? Um ser?
Ele consegue ouvir. Entender o que tu escreves ou imaginas dizer ("Você quis dizer..."). Ele consegue correlacionar nossas mentes numa quase interface zero, onde pessoas de línguas diferentes podem conversar naturalmente. Fim da torre de Babel. Ele pode sugerir um livro, a partir das tuas buscas da internet e e-mails que ele controla sobre ti. Ele pode ler teu perfil do Orkut e inferir se tu podes ou não ser um bom funcionário. Mas poderia o Google falar? E não estou falando de formas de Text-to-speech, que seriam sintáticas, mas falar com semântica?
Não creio que o Google possa tanto ainda. Mas também não saberia como classificar esta nova era da informação. Tenho um pouco de medo da estratégia e modo que o Google processa informação. É poder demais. Emmanuel Castells diria que "Informação é dinheiro", Kelvin Kelly diria que "Comunicação é economia". E ai eu tenho mais medo do Google.
Agora com licença que vou postar meu artigo no Blogger e checar meu Gmail.
mOTA@CodeThe.Net
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